Artigo

O PT acabou?

Se depender da vontade da ZH e de alguns de seus colunistas, sim, o PT deveria acabar. É o desejo da interpretação e/ou versão das “notícias” e da imparcial “opinião” de alguns articulistas.

Na página de Política + de Rosane de Oliveira, uma ação de coleta de assinaturas para um projeto de lei de iniciativa popular para que a Reforma Política eleitoral ocorra através de plebiscito e constituinte exclusiva foi transformada em “nada a comemorar”.

Ao invés de afirmar que o “PT vive sua maior crise”, poderia salientar que é o PT o único, dos grandes partidos, a estar nas ruas por essa luta que, recentemente, teve a adesão de mais de 7 milhões de eleitores que assinaram a petição pelo plebiscito.

A colunista poderia esclarecer que enquanto nós lutamos pelo fim do financiamento empresarial (em 2014 foram mais de 5 bilhões de reais transferidos aos candidatos escolhidos), pela proibição de coligações proporcionais (o sistema já é proporcional) e pelo voto em lista partidária (para fortalecer os partidos a serem democráticos e controlados pelos filiados), o PSDB e seus aliados na campanha do Aécio Neves (ver entrevista com o próprio em ZH) defenderam e defendem o voto distrital, o financiamento privado e a cláusula de barreira para chegar ao Congresso. Isso é uma informação objetiva, que expressa o pensamento e a prática dos partidos no Congresso Nacional.

Não é esse o jornalismo praticado e sim a opinião, o desejo do colunista que não é nada mais que “a voz do dono”. Semana passada, essa mesma parcialidade transformou uma delação de um corrupto em verdade, estampada nas primeiras páginas dos jornais e TVs de todos o país. O PT teria recebido ao longo de uma década e meia 200 milhões reais de empresas prestadoras de serviços à Petrobras. Sem nenhuma prova, sem nenhum dos indiciados e/ou presos entre funcionários da Petrobras e empresários e diretores das empresas corruptoras estar alguém com filiação, cargo ou mandato partidário do PT.

Se a operação Lava Jato assim como a “teoria do domínio do fato” prevaleceu na Ação Penal nº470, criar uma nova pirueta jurídica transformando qualquer doação de campanha eleitoral em “propina”, certamente o Judiciário deverá se especializar em malabarismos interpretativos pois em 2015 foram 5 bilhões, em 2010, foram 4,2 bilhões, em 2006 foram 2,8 bilhões de reais em doações empresariais para campanhas eleitorais para TODOS os partidos, conforme as regras votadas na regulamentação das doações no governo do sacrossanto FHC.

Mas isso, certamente, não interessa a esse jornalismo faccioso, parcial, medíocre, tendo o umbigo como centro do universo e o agrado aos patrões como parâmetro, origem efetiva da opinião publicada.

O título do artigo vem da outra matéria, no mesmo dia em ZH (11/2/15). Da metrópole onde se encontra o colunista David Coimbra – embasbacado pelas maravilhas do Império – decreta que o PT acabou.

Argumentos, nenhum. O PT era puro e ético. Deixou de sê-lo para o colunista do IAPI, portanto, tem que acabar. O preparado articulista já prepara cautelares: não me venham com relativizações do tipo os “outros roubam mais”! E a mais risível: todos os outros partidos também não prestam e cita os: PCdoB, PTB, PMDB, PSDB, PFL ...esqueceu do PP de Maluf e outros.

Mas, o que acabou é o PT! Os outros, já se sabia eram corruptos históricos...portanto, sabia o que?

Sem partidos, sem democracia, seremos governados pelos “sábios” ou pelos parâmetros do mundo como o jornalista Coimbra que do alto de sua inteligência julga quem pode ou quem não pode ser partido. Ou quem pode ou não pode ser governo!

Árbitro do mundo, o jornalista conclui: “O Brasil não precisa de um bom governo, não precisa de um governo competente. Só precisa de um governo honesto”! Quem escolhe e quem determina um “governo honesto? O Papa, os quartéis, o PRBS ou a cabecinha do articulista?"

Como alguém pode dizer uma asneira dessas com tanta pompa e dar de juízo final?

O Brasil real não é a cabeça premiada do jornalista. É o Brasil de quatro séculos de latifúndio, oligarquias e escravidão. É o Brasil republicano permeado por governos autoritários, ditatoriais e elites burguesas que sempre optaram pelos “regimes fortes”, pela exploração de seu povo e pela submissão aos imperalismos da época.

É nessas condições que o povo brasileiro há décadas luta por democracia e direitos. Nenhum avanço foi uma dádiva. Todos foram conquistas históricas apesar dos governo oligárquicos, do poder econômico dos monopólios da comunicação.

A plena liberdade de organização política partidária e de organização sindical no Brasil tem três décadas. O voto ao analfabeto só foi alcançado em 1988!

É nesse Brasil que vivemos e fazemos política. É nessas condições, com o mais anacrônico, anti democrático e corrupto sistema eleitoral em vigência, que construímos o PT e no qual se formaram todos os demais partidos.

De nossa parte, buscamos construir o partido mais democrático (eleições diretas para todos os cargos e direções), o mais plural (igualdade de gênero, cotas raciais e idade) e o mais comprometido com as lutas sociais e os direitos do nosso povo por igualdade e socialismo.

Pelo nosso programa, estatuto e código de ética não somos maquiavélicos, nem stalinistas. Para nós os fins não justificam os meios.

Corrupção é caso de polícia e das instituições que o Estado cria para sua vida em sociedade. Mas, a combatemos como queremos que todas as entidades e instituições também a condenem e punam.

O que não aceitamos é esse falso moralismo, alienado ou consciente, de comentaristas que se julgam o fiel da moralidade pública.

Acabar com o PT e os outros partidos é acabar com a democracia em construção no País. E principalmente as políticas que vem sendo desenvolvidas pelos últimos governos nossos.

Nesse sentido, caro David Coimbra, todos os indicadores, repito, TODOS os indicadores socio-econômicos do país são melhores que os períodos anteriores.

Quem sabe, não é isso que você discorda e não quer assumir claramente. Aí, na distante e asséptica Boston, você não acompanha tudo o que acontece na Província. Sei também que você não gosta de relativizações.Mas, aqui na Assembleia Legislativa do Estado, o PT foi o único que votou contra os deputados criarem uma Previdência especial para eles fora do INSS e sustentada com orçamento público. E, ninguém brigou mais que nós contra o auxílio moradia para o Judiciário, o MP , a Defensoria, o TCE, isto é, para os mais altos salários. Essa pequena benesse custa ao Orçamento Público mais de 200 milhões ao ano, e está sendo paga sem lei que a sustente.

Sei que você não gosta de relativizações, nem eu, mas o valor é parecido com a grande manchete que inundou o país do Oiapoque ao Chuí na semana passada e certamente deu origem ao teu artigo, sem nenhum crítica nem campanha como fazes contra o PT.

 

 

Publicado em 12/02/2015 às 15:07

Raul Pont

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